Implicação no Processo Terapêutico

Na psicanálise, implicar-se não é desejar mudança, nem estar pronto, nem ter clareza sobre o que se busca. Implicar-se é assumir o custo de um processo que acontece no tempo e que exige continuidade.

Muitas pessoas chegam à terapia em busca de alívio, compreensão ou respostas. Isso é legítimo.
Mas um trabalho clínico só se constrói quando o sujeito sustenta presença, frequência e compromisso, inclusive quando surgem dúvidas, desconfortos ou vontade de desistir.

O processo terapêutico não se organiza no improviso. Ele pede tempo, regularidade e um enquadre que proteja o vínculo e o trabalho. Onde tudo pode ser adiado, negociado ou abandonado sem consequências, o desejo não se sustenta e a análise não acontece.

Implicar-se não é intensidade. É permanência.
É comparecer mesmo quando dá vontade de se afastar.
É sustentar o combinado não como obediência, mas como escolha.

O enquadre — que inclui frequência, pontualidade, regras de desmarque e pagamento — não existe para controlar o sujeito. Existe para proteger o processo, para que a terapia não se torne mais um espaço onde a repetição se mantém sem elaboração.

A análise começa quando o sujeito sai da espera:
do momento ideal, da coragem perfeita, da solução imediata.

Implicar-se é entrar na própria história ainda dividido, ainda imperfeito, mas presente.


Não desaparecer de si.